Censo Econômico da Radiodifusão do Paraná

Fernando Morgado foi consultor e supervisor do estudo que revela o investimento publicitário no rádio paranaense

Coordenação de comunicação FENAERT-UNINTER

Como consultor, Fernando Morgado coordenou a atuação da FENAERT na primeira pós-graduação do Brasil em Gestão de Empresas de Radiodifusão

Voz da exposição "Rio Setecentista, quando o Rio virou capital"

Fernando Morgado é a voz oficial da exposição do Museu de Arte do Rio


Projetos realizados

A inauguração do SBT

 



Levy Fioriti, responsável pelo ótimo site Página do Silvio Santos, disponibilizou no YouTube a íntegra do discurso de inauguração do SBT - Sistema Brasileiro de Televisão (ocorrido no dia 19 de agosto de 1981).

O evento aconteceu no salão nobre do Ministério das Comunicações e marcava o final "de uma novela", como disse o próprio Silvio Santos em seu discuso. Essa "novela" foi a redistribuição, através de licitação, das concessões peremptas da antiga Rede Tupi entre dois grupos empresariais: Silvio Santos e Bloch (que, em 5/6/1983, colocaria no ar a Rede Manchete de Televisão).

Essa cerimônia, que você confere abaixo, foi um acontecimento único na história da televisão mundial, pois a emissora entrou no ar transmitindo a cerimônia de autorização para sua própria operação (o que, geralmente, demora até dois anos para acontecer).

Nessa transmissão aconteceu um fato curioso: um canal de TV só pode entrar no ar oficialmente após o documento do Ministério das Comunicações estar assinado. Acontece que, para transmitir essa assinatura, o SBT (então TVS) teve que entrar no ar 30 minutos antes que essa formalidade legal acontecesse, ou seja, a emissora ficou no ar de forma ilegal durante esses 30 minutos (algo que, na época, absolutamente ninguém reparou).



Abaixo, a transcrição do discurso proferido, de improviso, por Silvio Santos na manhã de 19/8/1981:
Quando eu cheguei aqui, o pessoal que me cumprimentou me disse: "terminou a novela". E realmente foi uma novela. Uma novela com happy end. E eu então, primeiro, quero agradecer as pessoas que, em algum momento, durante esta licitação, torceram para mim.

O público telespectador, que há muitos anos acompanha o meu trabalho pelo rádio e pela televisão, desde os tempos do saudoso Manoel de Nóbrega. Agradecer principalmente às senhoras, donas-de-casa, minhas fiéis companheiras, que passam o domingo comigo, enquanto a criançada vai à praia, enquanto os maridos vão passear e vão ao futebol.

Perguntaram ao povo, numa pesquisa, para quem o Governo deveria dar os canais de televisão. E o povo respondeu: Silvio Santos. Eu sempre acreditei, e acredito, que a voz do povo é a voz de Deus. E é pela vontade de Deus e é pela vontade do povo que hoje estou aqui assinando este contrato com o Ministério das Comunicações e também assumindo a responsabilidade de quatro canais de televisão que se integrarão ao SBT.

Estamos fazendo um investimento de US$ 10 milhões. Estamos juntando mais 1.600 funcionários ao Grupo Silvio Santos, que já tem 12 mil funcionários. Seremos, ao todo, 13.600 chefes de família trabalhando.

Estamos assumindo hoje esta responsabilidade. Vamos orientar a ex-TV Tupi de São Paulo; a ex-TV Marajoara de Belém do Pará; a ex-TV Piratini de Porto Alegre e a ex-TV Continental do Rio de Janeiro.

Eu estou feliz. Um pouco nervoso, mas feliz. Feliz porque eu estou vendo diante de mim a minha esposa, os meus amigos, alguns dos meus colegas e autoridades que dirigem o nosso país.

Para minha esposa, Íris, que está aqui na platéia, eu quero dizer que ela não se preocupe. O trabalho vai aumentar, mas eu continuarei sendo o bom marido e pai que sempre fui. Eu dirijo o meu trabalho, o meu trabalho não me dirige.

Para os meus amigos, estou vendo aqui o Mário Albino; o Luciano Callegari; o Abrãao; o Eliazar; Carlos Renato; o Don, da dupla Don e Ravel; o Ascenção, enfim, para os meus amigos que, felizmente, trabalham nas minhas organizações, a minha gratidão. Estes últimos meses foram meses de intenso trabalho. Eu sei que vocês ficaram vários dias e várias noites em Brasília, afastados da família, resolvendo problemas e sofrendo comigo as ansiedades para que este momento chegasse, para que assinassemos esse contrato. Obrigado ao Edgar; muito obrigado ao Sandoval.

Para os meus colegas, que estão aqui me fotografando, eu quero dizer à eles que eu serei muito mais colega e muito menos patrão. Eu não poderia agir de outra forma. Eu conheço as suas dificuldades; eu conheço os seus ideais; eu sei da vontade que todos tem nesta profissão que é apaixonante e ela é apaixonante pelas alegrias, pelas surpresas, pelas frustrações, pelas decepções do nosso dia-a-dia; mas quem entra nessa profissão nunca mais quer sair.

Para as autoridades, Ministro Murilo Macedo, do Trabalho; Ministro Haroldo; Ernane Galvêas; Ministro da Previdência; para as autoridades que estão aqui, eu quero assumir um compromisso: assumir um compromisso de prestar melhores e permanentes serviços em benefício da minha pátria e da coletividade. Podem crer, acreditem que eu não vou decepcionar o Presidente Figueiredo. Não vou decepcionar o Ministro Haroldo, o Ministro Délio, o Ministro Venturini, o Ministro Golberi, não decepcionar aqueles que me incentivaram, aqueles que me ajudaram, aqueles que me apoiaram.

Neste momento, eu acabo de assinar um contrato com o Ministério das Comunicações, como eu já disse, e este contrato foi assinado e nós estamos transmitindo este ato. Neste momento está no ar a TVS, canal 4 de São Paulo.

E muita gente pergunta para mim: "ô Silvio Santos, porquê TVS? É TV Silvio Santos?". Bem, é TV Silvio Santos porque, carinhosamente, os cariocas dizem que é. Não sei se os paulistas também vão chamá-la de TV Silvio Santos. Mas não é TV Silvio Santos. É que nós tínhamos os Studios de televisão fazendo os nossos programas. Meu programa já faz 22 anos que está no ar. Fazíamos os nossos programas num estúdio chamado Studios Silvio Santos e quando o Governo nos deu um canal de televisão, esse canal ficou sendo a TV dos Studios, então, a TV Studios. Por esta razão, o nome TVS, canal 4 de São Paulo, que está no ar e está no ar cumprindo a sua finalidade de abrir um novo mercado de trabalho e de oferecer à vocês, telespectadores, uma opção, uma programação variada, repleta de atrações.

Bem, parece que a luta terminou, embora o Mauro Salles tivesse dito para mim agora: "ô Silvio Santos, não terminou, começou!". É possível que tenha terminado, é possível que vá começar, mas eu peço à Deus que me dê saúde; eu peço à Deus que me ilumine, que me ajude; e peço à Deus também que abençoe o nosso país e que abençoe este povo admirável; este povo carinhoso que nele vive.

À todos vocês, muito obrigado.

Seis anos antes, em 1975, Silvio Santos recebia, ao lado de Manoel de Nóbrega, a concessão da sua primeira emissora: a TVS, canal 11 do Rio de Janeiro. Assista o trecho abaixo e leia os discursos.



Silvio Santos:
[...] a televisão que os meus colegas esperam, a televisão que os outros empresários esperam, dizendo agora, como eles, um empresário dentro da ética, um empresário leal, enfim, pretendo realmente que Deus me ajude para que eu possa tornar realidade estas minhas aspirações.

Assim como o Nóbrega confiou em mim - e hoje eu fico muito contente em trazê-lo aqui como diretor-superintendente do canal 11 -, eu espero, mais tarde, encontrar com o senhor Ministro, em qualquer lugar da cidade, sei lá, e dizer para ele: "Viu Ministro: a coisa deu certo. O senhor acreditou em mim e não se passaram tantos anos não, não se passaram vinte anos, em muito menos de vinte anos, nós conseguimos fazer aquilo que o senhor queria e aquilo que o Governo esperava." É só. Muito obrigado.

Manoel de Nóbrega:
[...] e podemos afirmar que toda a classe radialística, que todos os artistas de televisão do Brasil, estão vibrando no dia de hoje, e com justa razão. É pela primeira vez na história brasileira que um canal de televisão é dado a um punhado de artistas brasileiros.

Sim, senhor Ministro, em cada um de nós, diretores do canal 11, há um animador, um ator, um redator, um produtor, um artista de televisão. Outros colegas saberão nos dar o prestígio e a força necessária para a realização do nosso trabalho. E porque contamos com eles, sabemos que venceremos.

Vamos conduzir com muita dignidade, muito trabalho, muito respeito, a tocha sagrada de nosso ideal. Iremos entregá-lo aos nossos pósteros com mãos limpas para mãos limpas. Assim Deus no ajude.

Obrigado.

Para saber mais, acesse a Página do Silvio Santos, de Levy Fioriti, e o blog O Baú do Sílvio, de Hamilton Kuniochi.
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